Implantação de WMS em armazém licenciado: como a ComLog modernizou a operação ao entrar na Rede Vendemmia

A ComLog, operador logístico de Cariacica, no Espírito Santo, e primeiro parceiro a integrar a Rede de Licenciamento de Armazéns da Vendemmia, aproveitou a entrada na rede para substituir o próprio sistema de gestão de armazém pelo WMS da Senior Sistemas. A implantação foi dividida em 15 fases, do kickoff ao go-live, e conduzida em conjunto por Vendemmia, Senior e equipe da ComLog, com o armazém conectado ao Analytics by Vendemmia.

Para entender o que essa implantação muda na prática, ouvimos os dois lados do projeto: Felipe Marin, CEO da ComLog, que decidiu levar a empresa para a rede, e Derik Emir Severino, gerente de projetos da Vendemmia e responsável pela implantação. As respostas aparecem ao longo do texto, organizadas pelas perguntas de dois leitores: o operador logístico que avalia entrar na rede e quer saber como é o processo, e a empresa que armazena com a Vendemmia e precisa saber que padrão vai encontrar quando expandir a operação para outra região.

Por que um operador logístico regional decide entrar em uma rede 4PL?

O Brasil tem milhares de operadores logísticos regionais competentes no próprio território, com CD estruturado e equipe experiente, mas sem tecnologia de orquestração, sem acesso a clientes de alcance nacional e com um portfólio que, na maioria dos casos, termina na armazenagem. A Rede de Licenciamento de Armazéns foi desenhada para esse operador, que passa a operar com o modelo, a tecnologia e o portfólio 4PL da Vendemmia, incluindo importação, transporte e Analytics. A divisão de papéis é clara. Os clientes que chegam pela Rede são contratados e faturados pela Vendemmia, que define o nível de serviço que o licenciado cumpre e audita a operação. A execução no armazém, a equipe e os custos locais ficam com o licenciado, e os clientes próprios dele continuam sendo dele.

A aproximação da ComLog começou por outro caminho. No início de 2024, Felipe Marin procurou a Vendemmia para entender o que a tecnologia de RFID poderia trazer para a operação. A conversa evoluiu para um convite à rede, e o argumento que pesou foi a possibilidade de crescer sem imobilizar capital em nova estrutura física.

“Entendemos que era possível crescer sem ter de investir em novas estruturas, compartilhar e receber conhecimento, técnica e tecnologia. Avançamos ao menos cinco anos no tempo quando o assunto é o desenvolvimento do negócio logístico.”

Felipe Marin, CEO da ComLog

O gargalo, segundo ele, era comercial. A ComLog tinha estrutura para crescer, mas ainda não tinha a musculatura comercial para alcançar clientes de maior porte. A entrada na rede abriu acesso a empresas com processos e exigências mais maduros, e isso deslocou o desafio de lugar.

“O desafio era comercial. Agora se tornou operacional, para acompanhar o ritmo de crescimento da rede.”

Felipe Marin, CEO da ComLog

É aqui que a tecnologia entra na história. Um armazém que passa a receber clientes roteados por uma rede nacional precisa operar no padrão dessa rede antes que o volume chegue, e não depois. A ComLog decidiu trocar o próprio WMS para sustentar uma operação mais complexa desde o início.

A decisão de entrar na rede foi rápida. O modelo de licenciamento preserva o negócio e a marca que o operador construiu ao longo dos anos e acrescenta a chancela da Vendemmia, e esse equilíbrio entre as duas marcas foi o ponto central da negociação. “Não foi difícil, porque pensamos na mesma direção. O desafio foi equiparar as expectativas de branding e, quando acertamos a mão, o negócio foi fechado”, conta Felipe.

Como funciona a entrada de um armazém na Rede, e onde o WMS entra?

O onboarding padrão da Rede de Licenciamento leva de 90 a 120 dias, da assinatura ao go-live, e se apoia em três pilares: a integração do armazém ao Analytics by Vendemmia, a certificação da equipe nos padrões operacionais Vendemmia e um go-live acompanhado pelo time de projetos da Vendemmia.

Na ComLog, a entrada na Rede veio acompanhada da substituição do WMS pelo Senior, implantação que a Vendemmia conduziu junto com o fornecedor. O projeto seguiu uma lógica clássica de implantação de sistemas de gestão de armazém: entender a operação antes de configurar o sistema, configurar e testar em ambiente separado, capacitar quem vai operar e só então virar a chave em produção. Foram 15 fases, agrupadas em cinco etapas.

EtapaFases
Planejamento e escopoKickoff e envio do Termo de Abertura do Projeto (TAP)
Levantamento de aderência
Validação do escopo
Ambiente de homologaçãoInstalação e parametrização do WMS em homologação
Estabilização do ambiente de homologação
Integrações sistêmicas em homologação
Infraestrutura e insumos
CapacitaçãoTreinamento de cadastros para key users
Treinamento de fluxo integrado
Replicação do treinamento ao time operacional pelos key users master
TestesTestes integrados
Stress test operacional com key users master e operação
Virada para produçãoPreparação da base de produção ERP/WMS
Inventário geral
Go-live operacional

Três escolhas dessa sequência explicam boa parte do resultado. A primeira é o ambiente de homologação: o WMS foi instalado, parametrizado e integrado em uma cópia separada da produção, onde erros de configuração aparecem sem afetar pedido de cliente. A segunda é o modelo de key users, profissionais da própria ComLog treinados em profundidade que depois replicaram o conhecimento para o restante da equipe, o que reduz a dependência de consultoria externa depois da virada. A terceira é o inventário geral feito por empresa terceirizada às vésperas do go-live. Um WMS que começa a operar com saldo de estoque impreciso propaga o erro para endereçamento, separação e faturamento; contar o estoque físico antes da carga inicial garante que o sistema nasça com a posição real do armazém.

Qual foi o maior desafio técnico da implantação?

Em um armazém multicliente, as regras de operação variam conforme o depositante: controle por lote e validade, critério de saída (FIFO ou FEFO), regras de endereçamento, unidades de movimentação, exigências de conferência e documentação fiscal. Transformar essa variedade em parametrização de sistema é a parte mais trabalhosa de qualquer implantação de WMS.

“O maior desafio foi transformar os processos específicos da operação da ComLog em uma solução sistêmica dentro do WMS Senior, conciliando parametrizações, integrações e necessidades operacionais. A solução veio de um trabalho conjunto entre Vendemmia, Senior e ComLog, com forte atuação em testes, ajustes, validações com os usuários e acompanhamento intensivo no go-live e no pós-implantação.”

Derik Emir Severino, gerente de projetos da Vendemmia

O papel da Vendemmia nesse arranjo é o de um 4PL aplicado à tecnologia: coordenar fornecedor de software, operador e usuários em torno de um mesmo cronograma, com a responsabilidade de fazer o sistema aderir ao negócio, e não o contrário.

O que o WMS Senior entrega que um sistema mais simples não entregaria?

A resposta está no perfil da operação. Um armazém com poucos clientes e regras parecidas consegue funcionar com controle de estoque básico. Um armazém que recebe depositantes de segmentos diferentes, roteados por uma rede, precisa de outra arquitetura.

“O principal diferencial do WMS Senior é a capacidade de suportar operações com múltiplos depositantes, diferentes regras de negócio e maior complexidade operacional. A solução permite maior rastreabilidade, controle de endereçamento e movimentações, gestão de diferentes perfis de operação e integração com outros sistemas. Em operações desse perfil, isso traz mais confiabilidade, produtividade e capacidade de gestão, algo que um sistema mais simples teria dificuldade de sustentar à medida que a operação cresce.”

Derik Emir Severino, gerente de projetos da Vendemmia

Do lado da ComLog, a migração dos clientes para o novo sistema segue em curso. Para os que já operam no WMS, Felipe relata uma execução sólida e uma vantagem adicional: por ser um sistema mais recente, a curva de aprendizado dos colaboradores é menor.

Como foi a curva de aprendizado da equipe?

A capacitação foi desenhada por perfil. Usuários de cadastro, líderes de operação e operadores de piso receberam conteúdos diferentes, em formatos online e presencial, e o acompanhamento seguiu durante os testes, o go-live e o período de estabilização.

“Como toda mudança de sistema, houve um período inicial de adaptação, principalmente nos processos mais novos ou que tiveram alteração de rotina. O acompanhamento próximo permitiu acelerar a absorção e dar segurança aos usuários. Hoje, a equipe apresenta uma evolução consistente na utilização do WMS e maior autonomia na operação.”

Derik Emir Severino, gerente de projetos da Vendemmia

A percepção da operação confirma esse quadro. A primeira impressão do time da ComLog foi de um sistema prático, intuitivo e de fácil utilização, sem grandes dificuldades na adaptação. Ajustes pontuais de parametrização continuaram após a virada, como é esperado em qualquer go-live de WMS.

O que o cliente final passa a enxergar com o WMS conectado ao Analytics?

O WMS registra os eventos físicos do armazém: recebimento, armazenagem, movimentação, separação e expedição. Sozinho, porém, ele responde a perguntas operacionais. A conexão com o Analytics by Vendemmia leva esses dados para uma camada de gestão.

“O WMS concentra os eventos e movimentações operacionais, enquanto o Analytics consolida essas informações e disponibiliza uma visão mais ampla do negócio, permitindo acompanhar indicadores em tempo real como estoque, ocupação, produtividade, recebimento, expedição, nível de serviço e principais desvios. Para o cliente final, isso significa sair de uma visão puramente operacional para uma visão integrada e orientada a dados.”

Derik Emir Severino, gerente de projetos da Vendemmia

Para o embarcador, a diferença é concreta: o estoque armazenado na ComLog aparece no mesmo ambiente em que ele acompanha a importação e o transporte operados pela Vendemmia, com recursos de inteligência artificial que apontam desvios e apoiam a tomada de decisão.

Para a ComLog, a mudança alcança o próprio modelo de negócio. Por meio da rede, o operador passou a oferecer importação e transporte, além da armazenagem que sempre fez.

“Antes não importava, agora importo. Antes não transportava, agora transporto. Antes era um operador regional que disponibilizava benefícios fiscais; agora somos um hub de estratégias de distribuição para marcas.”

Felipe Marin, CEO da ComLog

Na prática, a ComLog origina esses serviços com os clientes do seu território, e a Vendemmia executa a importação e o transporte. O operador amplia o portfólio sem precisar montar estrutura própria de comércio exterior ou de transporte.

Felipe reconhece que essa virada de posicionamento ainda está em construção, dentro e fora da empresa. A ambição, segundo ele, é operar marcas, e não apenas e-commerces ou distribuidores, porque marcas têm mais canais e demandas logísticas mais amplas.

O que isso significa para quem armazena com a Vendemmia e quer expandir para outras regiões?

Abrir estoque em uma nova região costuma ser uma decisão de nível de serviço: encurtar o prazo de entrega para um mercado que cresceu, reduzir o custo de transferência entre CDs ou aproveitar a localização de um estado específico. O obstáculo raramente é encontrar um armazém. É garantir que a operação na nova praça siga o mesmo padrão da operação atual. Quando a expansão passa por um operador local contratado à parte, a empresa herda outro sistema, outra integração, outra forma de medir acuracidade e um painel de estoque separado, que alguém precisa consolidar manualmente.

A rede licenciada muda esse ponto de partida. Antes de receber carga de clientes da rede, o armazém parceiro passa pelo onboarding padrão: integração ao Analytics by Vendemmia, certificação da equipe nos padrões Vendemmia e go-live acompanhado. O estoque na nova região passa a aparecer no mesmo Analytics em que o cliente já acompanha armazenagem, importação e transporte, com os mesmos indicadores. Para o cliente, a relação comercial continua com a Vendemmia, que define o nível de serviço, acompanha de perto a operação pelo Analytics e coordena o operador local como coordena os demais nós da cadeia. O licenciado executa a operação no armazém, e a Vendemmia audita se o nível de serviço contratado está sendo cumprido.

Para a empresa que armazena, isso significa expandir a cobertura geográfica sem fragmentar a gestão: mais pontos de estoque no país, com uma só visão sobre eles.

O que a Vendemmia faria diferente na próxima implantação?

A ComLog é o primeiro armazém da rede, e o que se aprendeu nesse projeto se torna método para os próximos licenciados. Derik aponta dois ajustes principais.

“Fortaleceríamos ainda mais a etapa de planejamento e preparação, principalmente na antecipação de cenários operacionais, na validação das integrações e na definição das parametrizações antes do início dos testes com os usuários. Alguns comportamentos do sistema e particularidades da operação só ficam evidentes em cenários próximos da realidade. Por isso, ampliaríamos a cobertura dos testes, com uma matriz de cenários mais robusta e o envolvimento das áreas-chave desde as etapas iniciais.”

Derik Emir Severino, gerente de projetos da Vendemmia

O segundo ajuste diz respeito à gestão do go-live e da estabilização. Os aprendizados desse período foram documentados para antecipar riscos, reduzir ocorrências após a virada e acelerar a maturidade da operação nas próximas implantações. Para um operador que avalia entrar na rede, isso significa receber um processo que já passou por uma operação real, com ajustes incorporados. Para o cliente que expande a armazenagem, significa que o próximo armazém da rede começa a operar com um método de implantação mais previsível do que o primeiro.

O que o CEO da ComLog diria a outro operador logístico?

“Diria para não pensar muito. Algumas oportunidades são passageiras, e construir uma rede de operadores que hoje é nacional, mas que pode facilmente se tornar global, é trazer o futuro para o presente.”

Felipe Marin, CEO da ComLog

A implantação na ComLog mostra o que a Rede de Licenciamento de Armazéns entrega na prática: um armazém regional integrado ao Analytics, com equipe certificada nos padrões Vendemmia, acesso a um portfólio 4PL completo e a Vendemmia acompanhando a operação da implantação à estabilização. No caso da ComLog, a implantação do WMS Senior elevou também o nível de controle do armazém. Para o operador logístico, é um caminho para crescer sem nova estrutura física. Para a empresa que armazena, é a possibilidade de levar o estoque a novas regiões com o mesmo padrão de operação e de visibilidade.

Operadores logísticos interessados em conhecer o modelo podem falar com o time da Rede de Licenciamento de Armazéns. Empresas que querem avaliar a expansão da armazenagem para outras regiões encontram os detalhes em Armazenagem Vendemmia.

Assista a entrevista de Felipe Marin falando sobre a Rede de Licenciamento de Armazéns:

Perguntas frequentes

O que é a Rede de Licenciamento de Armazéns da Vendemmia?

É um modelo em que operadores logísticos regionais, com CD e equipe próprios, se credenciam para operar com a tecnologia, o modelo operacional e o portfólio 4PL da Vendemmia. Os clientes que chegam pela Rede são contratados e faturados pela Vendemmia; a execução no armazém, a equipe, os custos locais e os clientes próprios ficam com o licenciado, que passa a oferecer armazenagem, importação, transporte e Analytics aos clientes do seu território. A ComLog foi o primeiro operador a integrar a rede.

Quanto tempo leva para um armazém entrar na Rede de Licenciamento?

O onboarding padrão leva de 90 a 120 dias, da assinatura ao go-live, com integração ao Analytics by Vendemmia, certificação da equipe nos padrões Vendemmia e go-live acompanhado.

Como uma empresa que armazena com a Vendemmia pode expandir para outras regiões?

Pela Rede de Licenciamento de Armazéns, a Vendemmia oferece armazenagem em outras regiões do Brasil por meio de operadores parceiros integrados ao Analytics by Vendemmia. A relação comercial continua com a Vendemmia, que contrata e fatura o serviço, define o nível de serviço, audita a operação e coordena o operador local, responsável pela execução no armazém.

Quais são as fases de uma implantação de WMS?

Na ComLog, o projeto passou por cinco etapas: planejamento e escopo, configuração e integrações em ambiente de homologação, capacitação de usuários, testes integrados e stress test, e virada para produção com inventário geral e go-live. A sequência permite corrigir erros de parametrização antes que eles afetem a operação real.

O que é um key user em uma implantação de WMS?

Key user é o profissional da própria operação treinado em profundidade no sistema, que valida as configurações, participa dos testes e replica o conhecimento para o restante da equipe. Na ComLog, os key users master conduziram o treinamento do time operacional e o stress test antes do go-live.

Por que fazer um inventário geral antes do go-live do WMS?

Porque o WMS passa a orientar endereçamento, separação e faturamento a partir do saldo carregado no primeiro dia. Se esse saldo estiver errado, o erro se espalha pela operação. Na ComLog, o inventário geral foi realizado por empresa terceirizada às vésperas da virada.

Como o WMS se conecta ao Analytics by Vendemmia?

O WMS registra os eventos físicos do armazém, e o Analytics by Vendemmia consolida esses dados em indicadores de gestão em tempo real, como estoque, ocupação, produtividade, nível de serviço e desvios. O cliente final acompanha o armazém no mesmo ambiente em que vê a importação e o transporte.

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